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Danone quer duplicar o mercado de águas no Brasil
29/10/2008 - Valor Econômico - SP

Há 40 anos no mercado de águas em 22 países, finalmente a Danone entra com o produto no Brasil. A multinacional francesa oficializou ontem o lançamento da água BonaFont, que a princípio deve ser comercializada apenas no estado de São Paulo. "Em cinco anos, entretanto, queremos dobrar o consumo de águas no país", diz Gustavo Valle, presidente da empresa no país.

Segundo estudo encomendado pela Danone para a consultoria de mercado Zenith, o brasileiro consumiu no ano passado 8,1 bilhões de litros de água mineral, o que movimentou R$ 2,8 bilhões. O problema, segundo a Danone, é que cada pessoa bebe apenas 125 ml de água por dia, quando o recomendado é no mínimo 1,5 litro. Ao ano, são 45 litros por pessoa. No México, onde a empresa comercializa a mesma marca, o consumo anual é de 137 litros. Na Argentina são 70 litros.

"É aí que vemos uma grande oportunidade de crescimento", diz Valle. Ele explica que a BonaFont tem um apelo diferente das outras. "Não é um produto só para se refrescar, mas sim para ajudar na eliminação de toxinas, uma vez que ela é mais leve que a concorrência." Enquanto a BonaFont, conforme Eduardo Gagliardi, diretor de marketing da nova divisão de águas, tem 18,5 miligramas de sais minerais, a concorrência tem de 125 a 130 miligramas. "Isso tira aquela sensação de peso, de ´estufamento´ que o consumidor sente após tomar algumas águas minerais", afirma ele.

Foi por conta dessa característica, segundo Valle, que a empresa demorou para lançar o produto no país. "Há três anos estávamos procurando uma fonte com essas características", diz ele. A escolhida foi a fonte da Fazenda Sete de Abril, em Jacutinga, no Sul de Minas, pertencente há dois anos à empresa Icoara.

A Icoara foi comprada pela Danone por valor não revelado. A empresa, de apenas dois anos, comercializava águas há seis meses. Seus proprietários eram o empresário Carlos Pinto Neto e mais sete sócios. Caio Eduardo Monteiro da Silva, erroneamente citado na reportagem do Valor publicada dia 27, na página B6 ("Danone entra no mercado de água mineral no Brasil") como fundador e proprietário, não tem relação com a empresa.

"Nossa expansão para outras regiões depende de encontrarmos outras fontes com água da mesma qualidade", diz o diretor de marketing. O negócio de água mineral, segundo ele, tem essa característica regional, uma vez que os mercados não podem estar a mais de 400 quilômetros da fonte. "Acima disso, o transporte torna a operação inviável em termos de custos", diz o executivo.

O Brasil, segundo a Danone, tem outras fontes que poderão ser adquiridas. "O Brasil tem muita água, apesar do brasileiro beber pouca", afirma o presidente. A Danone, segundo ele, pretende dar à nova linha o mesmo peso que o iogurte Activia - o carro chefe de vendas da companhia - tem atualmente. "A verba de propaganda, por exemplo, é a igual", disse Gagliardi, sem citar cifras.

Hoje o mercado de águas é liderado em cada região por uma marca. No Estado de São Paulo, a Cristal, da Coca-Cola, tem 40% das vendas, seguida da Minalba, com 20%, da Nestlé, com 10% e Schincariol, com o mesmo percentual.